segunda-feira, 1 de abril de 2013

BOUTIQUE DE LIVROS - 1º. Encontro Concelhio de Clubes de Leitura

No dia 20 de abril (sábado), pelas 15h00, realizaremos um 1º. encontro de todos os clubes de leitura do concelho de Silves, e que são os seguintes:
- Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Silves;
- Clube de Leitura da Casa do Povo de Alcantarilha e Armação de Pêra;
- Clube de Leitura Feminino da Comunidade Estrangeira;
- Clube de Leitura Sénior da Comunidade Estrangeira.



A todos agradecemos, desde já, a sua participação e convocamos para uma reunião preparatória do evento no dia 5 de abril (sexta-feira), pelas 17h30.

Na festa onde notas e moedas não são convidados,  apelamos apenas à imaginação individual e do grupo para a Boutique dos Livros, uma atividade misteriosa que invadirá as prateleiras da sua casa, recolherá talvez os livros que emprestou, permitir-lhe-á namorar muitas obras, render-se a um amor antigo ou apaixonar-se pela primeira vez por um novo tipo de livros...

Agradecemos, ainda, a participação especial do leitor, amigo e cúmplice Francisco Leal, que ajudará a fazer o cruzamento da Música com a Literatura e, assim, comemorar o Dia Mundial do Livro e Dia de Aniversário da Biblioteca (23 de abril) e a Revolução dos Cravos.

Membro ou não de algum Clube esperamos por si...

No dia 8 de abril há Clube na Casa do Povo de Alcantarilha e Armação de Pêra

O Clube de Leitura da Casa do Povo de Alcantrilha e Armação de Pêra reunir-se-á, no dia 8 de abril pelas 21h00, para discutir "Firmin", de Sam Savage.



O autor que se estreou aos 65 anos após ter lecionado Filosofia na Universidade de Yale e ter trabalhado como mecânico de bicicletas, carpinteiro, pescador e impressor tipográfico recebeu uma enorme recetividade por parte dos leitores nos E.U.A, Brasil e Itália.

A jornalista e escritora espanhola Rosa Montero referiu, a própósito desta obra, que "Firmin foi um acontecimento na minha vida de leitora, um desses raros encontros com uma personagem inesquecível. Original, com graça e profundamente comovedora, esta aguda fábula sobre a condição humana é um tiro no coração".

Amanhã há Clube

Após uma incursão no território rural e citadino nacional com José Luís Peixoto, amanhã pelas 19h00, o Clube volta a reunir-se para dar quase a volta ao mundo e explorar uma cultura de sabedoria milenar, através de Gao Xingjian (04-01-1940), novelista, dramaturgo, tradutor e crítico literário francês de origem chinesa, além de pintor nas horas que lhe sobram.


Laureado com o prémio Nobel em 2000 por "uma obra de valor universal, de uma lucidez amarga e uma ingenuidade linguística que abriram novos caminhos para o romance e teatro chineses", os contos que leremos deste escritor são os seguintes: "O acidente" e "Uma cana de pesca para o meu avô" (ambos da obra com este mesmo título).

Venha e traga um amigo também!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Amanhã há Clube!

Depois de uma pausa na atividade, o Clube de Leitura da Biblioteca Municipal volta a reunir-se amanhã (dia 5 de março), pelas 19h00, na Biblioteca para debater alguns contos selecionados do escritor José Luís Peixoto.


Haverá bolo e chá (como já é habitual), mas, sobretudo, uma amena cavaqueira à volta dos livros e da partilha de experiências de leitura.

Uma novidade em primeira mão: criámos um grupo novo no facebook a que todos podem aderir e partilhar. Liguem-se em: http://www.facebook.com/#!/groups/427477857330303/

Este será um novo espaço online de todos aqueles que não vivem sem livros e do Clube de Leitura, pelo que aceita-se a publicação de fotos ligadas a este vício, fotos das sessões do Clube, bem como opiniões acerca dos livros que andam a desassossegar positivamente os seus membros, sugestões de eventos acerca da arte literária, etc.

Esperamos por vós...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A "altura" do Ano Novo ...

Desejo a todos os Portugueses (bem sei que corro o risco de parecer algum dos nossos "politicóides", mas os verdadeiros leitores são pessoas que sabem pensar, interpretar, distinguir e por aí fora), aos membros e amigos do Clube e aos amantes das letras, familiares e a toda a gente de bem (sim, porque como José Afonso gostava de repetir "seja benvindo quem vier por bem") um ano à altura das pessoas que constroem pontes de entendimento entre pessoas e instituições para alcançar o bem público, um ano à altura daqueles que são voluntários, à sua escala e não interessa em que parte do mundo ou localidade (ou bairro) ou por quanto tempo durante os 12 meses, um ano à altura das pessoas cuja luz é tão intensa e constante que ilumina todos à sua volta.

Para estas pessoas não podia deixar de lhes oferecer e/ou relembrar um poema que foi inspirado em pessoas como elas, isto é, gente verdadeiramente humana e, por isso mesmo, grande, enorme...trata-se do poema "If" de Rudyard Kipling (autor do livro infantil "A Selva" e galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1907, tendo-se tornado o primeiro autor de língua inglesa a receber esta condecoração e, até hoje, o mais jovem a recebê-lo).

Espero que ele vos provoque "abanões" semelhantes aos que me provocou quando o li pela primeira vez...!!!
               
                                                                   
                                          Rudyard Kipling
                                              (1865-1936)

"Se"

Se consegues manter a calma
quando à tua volta todos a perdem
e te culpam por isso.

Se consegues ter confiança em ti
quando todos duvidam de ti
e aceitas as suas dúvidas

Se consegues esperar sem te cansares por esperar
ou caluniado não responderes com calúnias
ou odiado não dares espaço ao ódio
sem porém te fazeres demasiado bom
ou falares cheio de conhecimentos

Se consegues sonhar
sem fazeres dos sonhos teus mestres

Se consegues pensar
sem fazeres dos pensamentos teus objectivos

Se consegues encontrar-te com o Triunfo e a Derrota
e tratares esses dois impostores do mesmo modo

Se consegues suportar
a escuta das verdades que dizes
distorcidas pelos que te querem ver
cair em armadilhas
ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida
ficar destruído
e reconstruíres tudo de novo
com instrumentos gastos pelo tempo

Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa,
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

Se consegues constringir o teu coração,
nervos e força
para te servirem na tua vez
já depois de não existirem,
e aguentares
quando já nada tens em ti
a não ser a vontade que te diz:
"Aguenta-te!"

Se consegues falar para multidões
e permaneceres com as tuas virtudes
ou andares entre reis e pobres
e agires naturalmente

Se nem inimigos
ou amigos queridos
te conseguirem ofender

Se todas as pessoas contam contigo
mas nenhuma demasiado

Se consegues preencher cada minuto
dando valor
a todos os segundos que passam

Tua é a Terra
e tudo o que nela existe
e mais ainda,
tu serás um Homem, meu filho!

sábado, 22 de dezembro de 2012

O Pai Natal verdadeiro...


Para todos os membros do Clube de Leitura e amigos dos livros, a minha prenda neste Natal é um texto de José Fanha, um senhor que com as suas barbas e ternura lembra mesmo o Pai Natal…

Para todos um Natal doce, quentinho e com tudo aquilo que realmente importa!

Amigas e amigos:

O que eu gostava mesmo era de ser o Pai Natal. O verdadeiro. O autêntico. O que desce pelas chaminés e leva uma prenda a cada menino. E, já agora, a cada adulto.

Sei que já não há chaminés por onde possa escorregar um Pai Natal que se preze. Teria de aprender outros truques para entrar na casa de cada um.

Mas havia de levar prendas daquelas que não são compradas à pressa. Nem precisam de muitos laços e fitas. Prendas com prendas dentro. Das que ficam muito tempo a fazer ninho no coração das pessoas.

Levava sorrisos. Sobretudo sorrisos. Não daqueles que se acendem a medo, de espinhela dobrada, “com licença, faz favor”. Mas sorrisos fortes como os dos homens que são capazes de olhar de frente a vida e dar a volta aos tropeços do destino.

Levava palavras. Palavras escritas devagarinho e com todas as letras. Palavras fraternas e limpas como as pedrinhas que se apanha à beira mar. Cada uma escolhida de propósito para cada pessoa.

Levava livros também. Daqueles que nos oferecem muitas horas de viagens verdadeiras, de alegria, de espanto, de maravilha, de medo, de ternura. Daqueles que nos fazem conhecer outras pessoas, com outros desejos, outras dores e outros sonhos. Livros que nos ajudam a saber que cada um de nós não é o centro do mundo e nos permitem a festa de estender pontes daqui para ali, do nosso peito para o longe do universo.

Talvez não consiga levar-vos tudo isto pessoalmente. Mas segue um abraço dado com toda a força e o desejo de muita luz neste Natal.
                      
 José Fanha


"O que a palavra Natal quis dizer..." de Ana Hatherly

O
que
a pala-
vra Natal
quis dizer é
o que continua
a querer dizer: a
celebração dum nas-
cimento. A celebração
porque um nascimento é
uma afirmação de vida, u-
ma afirmação de continuidade
de vida. O nascimento duma cri-
ança deveria ser sempre ocasião pa-
ra alegria, júbilo, confiança. Mas a pa-
lavra Natal-nascimento, que durante ge-
rações simbolizou o renascer da esperança
da salvação, hoje tem cada vez mais uma con-
trapartida excessivamente dramática, pois hoje,
quantas são as crianças cujo nascimento é símbolo
de esperança e quantas são aquelas cujo nascimento
é símbolo de miséria, decadência, abandono? Para que
nascem as crianças hoje? Quem as faz nascer? Porque as
fazem nascer? Para quê as fazem nascer? Para que mundo?
Para que destino? Para que esperança? Para que lutas? Para que
sofrimentos? A misericórdia divina precisa do apoio dos homens.
Sejamos instrutivos para os que fazem nascer as crianças sem sabe-
rem porquê e impiedosos para os que as fazem nascer para o desespe-
ro e para o terror. Se o culto do Natal é o culto da criança salvadora da es-
pécie, da sociedade e do destino dos homens, então que se cuide da criança cui-
dando do mundo para onde ela é tra-
zida, para o mundo onde ela terá de
viver, para que ela possa ser a conti-
nuada afirmação da vida e da espe-
rança. Não se pode celebrar o sím-
bolo e descurar o seu fundamento.
                                                Ana Hatherly
1971